segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PINOCCHIO

PINOCCHIO
Os desafios do amadurecimento




A despedida da infância nada açucarada do boneco que se torna homem vai aos palcos com o espetáculo PINOCCHIO, interpretado pelo Grupo Gongo e dirigido pela professora, atriz e diretora Jacyan Castilho (Canteiro de Rosas, A canoa). A peça estréia na próxima sexta-feira 13 e fica em cartaz de 13 a 22 de novembro, com exceção da segunda-feira (16), no Teatro Martim Gonçalves, sempre às 20h.

Extrapolando o caráter infantil do texto sem perder, entretanto, a riqueza lúdica e fabulosa do universo da criança, PINOCCHIO promete ser um espetáculo intenso e inusitado, dirigido aos sentidos e às sensações. A montagem irá dialogar, sobretudo, com o público adulto e o jovem adulto, convidando-os a mergulhar na viagem aparentemente ilógica, mas totalmente plausível, da passagem para a maturidade, através da criatividade.

A peça marca a formatura dos alunos de interpretação teatral da UFBa e resulta da confluência de diversas estéticas e técnicas adquiridas e desenvolvidas pelo grupo ao longo da graduação.

O grupo
Desejando estender a prática criativa para além dos muros da universidade e aproveitando a sintonia e potencia criadora desenvolvidas na turma ao decorrer do curso, os alunos de Interpretação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, formandos desse ano (2009), resolveram formar um grupo para se lançar no mercado profissional. É desse ímpeto que nasce o Grupo Gongo, que após três anos de pesquisa e experimentações em sala de aula, com a produção de 5 montagens universitárias- entre elas “Ópera do Malandro” e “Ubu Rei”-, traz agora à cena o espetáculo PINOCCHIO.

A narrativa
Embora tenha sido originalmente escrito para crianças, a estória do boneco que queria ser gente está longe de ser o conto idealizado da infância que as produções de Walt Disney e de tantas montagens “infantis” nos levam a crer. A fábula do boneco de pau que só se transforma em humano após um longo périplo de aventuras pode ser reconhecida como um rito de passagem da infância para a adolescência. Pinóquio, o boneco, enfrenta de maneira destemida e arrojada os desafios da escola, dos apelos do consumo, do sexo, da diversão e do trabalho, como qualquer jovem de hoje. Ao final, não é um Pinóquio “obediente a seu pai” que ganha o presente da conversão ao humano: é um Pinóquio amadurecido, experiente e calejado, que se torna “um homem de verdade”.

A encenação
A novela original As aventuras de Pinocchio, de Carlos Collodi, é trazida aos palcos de maneira dinâmica e desafiadora, a partir de improvisações e jogos teatrais. Sem propor nenhum tipo de adaptação do texto, a montagem trabalha com a idéia do “romance em cena”, isto é, narradores e personagens são apresentados pelos atores, que se revezam em todos os papéis. A encenação conta com o talento de 19 atores que recriarão no palco as imagens, cenas e personagens da novela clássica de Collodi, desvelando, num encadeamento surpreendente das ações, o rito de passagem contido na transição da infância à idade adulta.

Teatro e Universidade
A Escola Teatro da UFBA é referência internacional de ensino, pesquisa e extensão e tem como principal laboratório cênico o Teatro Martim Gonçalves. Este tradicional teatro, o mais antigo da cidade em funcionamento, situado no bairro do Canela, já abrigou nomes como Glauber Rocha, Othon Bastos, Vladimir Brichta, Gianni Ratto, Harildo Deda, Zizi Possi, Nilda Spencer (que dá nome a galeria que o teatro abriga em seu foyer).

Com o intuito de compartilhar com a comunidade a qualidade da produção teatral da universidade, num encontro abrangente, fascinante e único, PINOCCHIO será apresentado com entrada franca.


SERVIÇO:
O que: PINOCCHIO
Quem: GRUPO GONGO, DIREÇÃO JACYAN CASTILHO
Quando: DE 13 A 22 DE NOVEMBRO, TODOS OS DIAS, EXCETO SEGUNDA- FEIRA (16), SEMPRE ÀS 20H
Onde: TEATRO MARTIM GONÇALVES (Escola de Teatro-UFBa, Canela)
Quanto: GRÁTIS, bilheteria no local, nos dias de espetáculo, a partir das 18h.
MAIORES INFORMAÇÕES COM: 9977-8883



Classificação 14 anos

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A IMPLOSÃO DA MENTIRA

Pintura: Miró

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
E hoje mentem novamente. Mentem
De corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
Que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune / mente.
Não mentem tristes. Alegremente
Mentem. Mentem tão nacional / mente
Que acham que mentindo história afora
Vão enganar a morte eterna / mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
Falam. E desfilam de tal modo nuas
Que mesmo um cego pode ver
A verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
E para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
Pela mentira, nem à democracia
Pela ditadura.
Evidente / mente a crer
Nos que me mentem
Uma flor nasceu em Hiroshima
E em Auschwitz havia um circo permanente.
Mentem. Mentem caricaturalmente:
mentem como a careca mente ao pente,
mentem como a dentadura mente ao dente,
mentem como a carroça à besta em frente.
mentem como a doença ao doente,
mentem clara / mente como o espelho transparente.
Mentem deslavada / mente, como nenhuma lavadeira
mente ao ver a nódoa sobre o linho.
Mentem com a cara limpa e nas mãos o sangue quente.
Mentem Ardente / mente como um doente nos seus
instantes de febre. Mentem fabulosa / mente como o
caçador que quer passar gato por lebre. E nessa trilha de mentira
A caça é que caça o caçador com a armadilha.
E assim cada qual mente industrial? mente,
mente partidária? mente,
mente incivil? mente,
mente tropical? mente,
mente incontinente? mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava / mente
constroem um país de mentira
diária / mente.
Alinhar à direita

(Affonso Romano de Sant' Anna)

Inspiração absoluta para nossa montagem de Pinocchio